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10.5.11

34

Para a semana faço 34 anos.

Acho que os aniversários são boas datas para começar coisas.
E para terminar coisas.

6.5.11

Vestidos




Eu podia levar a colecção inteira da SkunkFunk para casa. Amo.

3.5.11

Pessoas ilhas

Estou a fazer uma chamada à entrada da empresa, e ao lado uma mulher fala também ao telefone. Enquanto espero que atendam, não posso deixar de ouvir um resquício de conversa: "(...) pois, temos que arranjar um encontro de divorciadas, para termos com quem falar sobre estas coisas, os ex, os namorados, os filhos, e tudo".

À parte o meu horror a grandes ajuntamentos de mulheres (as minhas amigas queridas são a excepção), quase levantei o dedo e gritei "Eu vou, eu vou!".

Às vezes sinto-me uma ilha.

2.5.11

Master's degree

Respirar fundo e não responder.
Eu, qualquer dia.

28.4.11

Fui à feira do livro


A árvore vermelha, Shaun Tan

Quando os livros nos fazem sorrir e chorar ao mesmo tempo, não nos devemos separar deles.

Este ano faço lista

O ano passado deve ter sido excepção, e eu gosto de registar os meus desejos, ano após ano. Estou quase a fazer 34, e o que me ocorre é



Um par de sapatos novos (este deve repetir-se ano após ano)



Uma nespresso (outro repetente)



Um vestido (ou vários!)



Uma máquina fotográfica de bolso



Uma écharpe colorida



Um livro



Uma bicicleta (este garantidamente, está a estrear-se!)

Resumindo: nada que me faça muita falta. Devo ser uma sortuda!

As pessoas.

As pessoas olham para o futuro na perspectiva do que vai ser.
Por enquanto, eu olho para o futuro e só consigo perspectivar o que ele não vai ser.

27.4.11

Hábitos

O A. diz que enquanto ele escolhe entre pratos de carne, peixe ou massa, eu escolho entre espinafres, cogumelos e courgettes.

Quando estou sem filhos sou vegetariana.

24.4.11

Sol

Hoje o sol apareceu e eu andei durante uma hora e meia na praia, a ouvir o álbum Lungs de Florence and the Machine. Andei, andei, andei, a praia a abrir-se à minha frente, perfeita.

Acho que já disse que sou mais feliz a andar. Acredito que seja o movimento para a frente. A promessa que encerra.

5.4.11

Imagino

Quando era miúda passava o tempo a viver nos livros que lia.
Penso que me vem daí uma certa desilusão persistente com o mundo real e palpável.

Ultimamente, dei por mim a desejar que as personagens das minhas séries preferidas fossem reais.
Imagino que seja um mau sinal, quando as pessoas com quem me identifico facilmente não existem e por vezes tenho tanta dificuldade em empatizar com as de carne e osso à minha volta.

Peguemos, por exemplo, na season actual do Brothers and Sisters.
É tão fácil identificar-me com os medos da Sarah, as tentativas de fazer com que fique tudo bem da Nora, a impaciência do Kevin, o desamparo da Kitty, e os esforços do Justin para avançar.

Acho que a questão é que as pessoas reais tendem a esconder as suas fraquezas e algumas ainda alardeiam as suas conquistas. Não há ali ninguém a filmar-lhes todos os momentos. Deve ser isso.

30.3.11

Segredo

"Era baixa, mas tão robusta e calma, como se o seu corpo conhecesse algum segredo. Como se escondesse algo nos ossos, no sangue, na carne, o segredo do tempo ou da vida, algo que não pode ser dito aos outros, que não pode ser traduzido para outra língua, porque as palavras não suportam esse segredo."

As velas ardem até ao fim, Sándor Márai


Conheço poucas pessoas assim.
Todas as outras parecem ter as suas tempestades interiores, melhor ou pior disfarçadas, mais ou menos assumidas.

Esta descrição faz-me pensar na tia A., perto de quem cresci. A minha mãe era toda nervosismos e preocupações, a casa impecável, frágil, e a minha tia era assim mesmo. Pequena, robusta e calma, com uma boa disposição e alegria que sempre achei misteriosas. Acho que continua a ser. Quando penso nela, vejo-lhe sempre as gargalhadas despudoradas e sinceras.
Este tipo de pessoas, genuinamente tranquilas, faz-me sempre sentir relaxada. Como se perto delas estivesse a salvo dos infortúnios. Absorvida por aquela paz com a vida.

24.3.11

Nós somos o sítio que nos faz falta?


Às vezes penso que sim, que infelizmente, e muitas vezes, o que me faz falta acaba por ser o que me define melhor.

Imagem daqui.

22.3.11

Qual a minha capacidade de resistir à frustração?




Acho que depende de quantas frustrações acontecem ao mesmo tempo.
(Adoro as ilustrações da Ana)

21.3.11

Nota mental

Não nadar de estômago vazio: entre a taquicardia, a sensação de desmaio e a fraqueza muscular, estou aqui que não posso, mesmo depois de ter almoçado.
Parva.

16.3.11

Contar tostões

Um tostão
Dois tostões
Três tostões

Preciso de arranjar um segundo emprego.

10.3.11

Há coisas más que acontecem e passam, saram, a gente nunca mais se lembra delas, fica a memória da dor e pouco mais.
Há outras que perduram. E, quando estamos distraídos, batemos com a dor num canto qualquer e é como se estivesse tudo a acontecer outra vez. Repetidamente.
Como se todas as arestas mal limadas da vida fossem bater ali mesmo, onde dói, onde ainda não sarou. A lembrar-nos.

8.3.11

Home



It's my direction, it's my proposal
It's so hard, it's leading me astray

My obsession, it's my creation
You'll understand, it's not important now

All I need is co-ordination
I can't imagine, my destination
My intention, ask my opinion
But no excuse, my feelings still remain

My feelings still remain


Regresso a casa, faço o caminho de todos os dias, os filhos no banco de trás a perguntar se estamos a chegar, também eles a reconhecer a chegada, casa, a nossa casa. É tão bom chegar, mesmo quando foi bom estar fora.

(E esta música no rádio, perfeita)

Às vezes, naqueles momentos em que me sinto a levitar por cima da minha vida, em que me desprendo e vejo tudo de fora sem me reconhecer como parte daquilo, a minha casa é uma das coisas que mais facilmente me faz regressar. Este sítio. Meu. Casa. Seguro.

28.2.11

Arrumações

Nem só de passeios é feito o fds. Depois de cerca de uma hora a arrumar gavetas e despensa, concluo o insuspeitável: preciso urgentemente de uma garrafeira. Ora isto, na casa de quem raramente bebe álcool, não deixa de ser uma coisa espantosa.

(Até whiskey, gentes)

Friday Night Fever

Aos 33, a febre de sexta-feira à noite que me apetece não é , garantidamente, a mesma.
Esta sexta estreei-me num grupo de tricot da minha zona e foi um final de dia e de semana muito bem passado. O encontro, ou a minha participação nele, faz parte de uma das minhas decisões para 2011: a de me aproximar de pessoas com interesses mais parecidos com os meus, em vez de me ficar pelo que é conhecido e seguro, e muitas vezes, diferente.
Não sei do que gostei mais: se do encontro com pessoas "novas", que é sempre tão gratificante e rico, se do scone XL a acompanhar de chá (e o ter recuperado a casa de chá de que tinha perdido rasto), se da hipótese de fazer coisas giras e diferentes, para as quais não avancei ainda por falta de jeito e de alguém que me ensine.
Uma vez por mês, sempre que conseguir, lá estarei.

24.2.11

É nas pequenas coisas

O brinquedo a pilhas que precisa de uma chave estrela para abrir o compartimento das pilhas. E eu sem chaves de ferramentas. E eu que afinal até tenho uma chave estrela que o meu pai me trouxe depois, mas que não encaixa. Ou encaixa e não roda. Ou roda mas não abre. As gotas de suor na testa e a porcaria do parafuso minúsculo que não sai. O miúdo com o brinquedo há três dias e não pode brincar. Coitadinho. E eu, uma mãe imprestável que não tem chaves de ferramentas em casa. Coitadinho. E eu que não consigo fazer rodar a porcaria de um miserável parafuso. Coitadinho. Imprestável. O pulso a doer-me da força que faço e o fim do mundo a acontecer ali na minha sala, porque não consigo fazer uma coisa tão simples e insignificante, e o miúdo, coitadinho, que não brinca. E a vontade de chorar porque não consigo, não consigo, não tenho, não sou capaz. E o miúdo, coitadinho. Tudo minha culpa.

É nas pequenas coisas que eu sinto. Tudo a abrir, a doer. Ainda.

(Não desisti e fui remexer o armário que está cheio de coisas que não sei para que servem, remexi, remexi, e encontrei uma coisa cinzenta fechada que dizia Oracle e parecia promissora. E não desisti e tentei abrir a coisa cinzenta promissora que dizia Oracle e lá de dentro sairam uma série de coisinhas que devem ter um nome, mas que são assim várias chaves estrelas e das outras, fendas?, de vários tamanhos. E encaixei a ponta numa coisa que parecia ser um sítio para encaixar as várias pontas e rodei mais uma vez o miserável parafuso e rodei e rodei, e mexeu e saiu e abriu e pilhas e o miúdo a brincar. Ah.)