No próximo aniversário rapto-a, e festejamos só nós.
(As festas de aniversário conseguem ser ocasiões muito desgastantes)
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22.3.11
1.3.11
A miúda sentada na cadeira, os olhos cheios de medo
Foi ao dentista porque o segundo dente, o novo, nasceu atrás do primeiro, o velho. Estavam ali os dois alinhados há semanas e por semanas ficariam, segundo parecia.
Tentei explicar-lhe antes, no carro, que não lhe podia dizer o que ia acontecer, porque a dentista é que ia decidir o que se fazia ao dente. Pareceu-me um pouco ansiosa, mas não demasiado. Aquela ansiedade que vem com o que não se conhece.
Já na cadeira de dentista, deitadinha, o medo foi crescendo e fechou-lhe a boca bem fechada, ela que passa o tempo a mostrar o dente a toda a gente, a incliná-lo para a frente mesmo apesar dos meus protestos (Ai, não faças isso!). E a dentista a fazer piadolas, e a assistente a fazer piadolas e até o M. a fazer piadolas, e eu a ver-lhe os olhos a pedir-me socorro, eu irritada com as piadolas, que bem sei que do que precisamos quando temos medo não é de piadas, mas sem saber como a tranquilizar no meio de tantas vozes que já o tentam fazer. Que não se preocupe, que não vão fazer nada, que ninguém ali arranca dentes! Aperto-lhe a perna e sorrio-lhe e pisco-lhe o olho com confiança, arrisco uma desdramatização, em tom sereno, que não se preocupe não dói nada, mas sei que neste ponto já não há muito a fazer. Que o medo se lhe agarrou aos maxilares comprimidos e não vai sair.
Eventualmente aquela pequena tortura acaba e o dente sai, ela já se ri, já salta, já pula, já se esqueceu, da próxima já sabe que não custa assim tanto, até que vem a pergunta que eu temia:
"Ó mamã, porque é que a dentista disse que não ia arrancar dente nenhum e depois me arrancou o dente?"
Pois.
Tentei explicar-lhe antes, no carro, que não lhe podia dizer o que ia acontecer, porque a dentista é que ia decidir o que se fazia ao dente. Pareceu-me um pouco ansiosa, mas não demasiado. Aquela ansiedade que vem com o que não se conhece.
Já na cadeira de dentista, deitadinha, o medo foi crescendo e fechou-lhe a boca bem fechada, ela que passa o tempo a mostrar o dente a toda a gente, a incliná-lo para a frente mesmo apesar dos meus protestos (Ai, não faças isso!). E a dentista a fazer piadolas, e a assistente a fazer piadolas e até o M. a fazer piadolas, e eu a ver-lhe os olhos a pedir-me socorro, eu irritada com as piadolas, que bem sei que do que precisamos quando temos medo não é de piadas, mas sem saber como a tranquilizar no meio de tantas vozes que já o tentam fazer. Que não se preocupe, que não vão fazer nada, que ninguém ali arranca dentes! Aperto-lhe a perna e sorrio-lhe e pisco-lhe o olho com confiança, arrisco uma desdramatização, em tom sereno, que não se preocupe não dói nada, mas sei que neste ponto já não há muito a fazer. Que o medo se lhe agarrou aos maxilares comprimidos e não vai sair.
Eventualmente aquela pequena tortura acaba e o dente sai, ela já se ri, já salta, já pula, já se esqueceu, da próxima já sabe que não custa assim tanto, até que vem a pergunta que eu temia:
"Ó mamã, porque é que a dentista disse que não ia arrancar dente nenhum e depois me arrancou o dente?"
Pois.
6.2.11
A crescer
13.12.10
Filha
"Sabes, a avó Nata faz uns ovos mexidos tão bons!"
(Pausa)
"Ah! E a avó Alice também!"
(Pausa)
"Ah, e tu também!"
É mesmo assim, a minha filha. Sempre preocupada em não magoar.
(Pausa)
"Ah! E a avó Alice também!"
(Pausa)
"Ah, e tu também!"
É mesmo assim, a minha filha. Sempre preocupada em não magoar.
30.11.10
Os momentos perfeitos duram segundos
Eu e ela sentadas no sofá, lado a lado. Eu a comer bolachas com leite e ela a beber leite com chocolate. No sofá, onde não se come. Cheias de sono. Dou-lhe um beijinho no cabelo e apetece-me chorar. Cheira a bebé.
"Vamos para a cama, mamã?"
"Vamos para a cama, mamã?"
28.11.10
FDS em casa II
Quando dou conta, estou prestes a esguichar o nasomet no nariz errado. Eu e a filha rimos perdidamente.
19.11.10
Curtas
Estamos a sair da escola, e uma mãe conhecida deseja-nos um bom jantar no MAC. Eu respondo, a gozar, que isso é uma impossibilidade, e imediatamente ouço no banco de trás: "J., sabes o que é uma impossibilidade? É uma coisa de que gostamos muito!"
17.11.10
"Ela está tão magrinha!"
Não, filha, não podes repetir novamente, porque depois vais-te deitar e ficas mal-disposta.
16.11.10
Curtas
Estou a subir no elevador com os filhos e um vizinho. O vizinho comenta educadamente as caras de sono. Eu sustenho rapidamente a respiração. E a filha, confirmando os meus receios: "Pois é, estamos cheios de sono, mas antes de dormir ainda temos que tirar os piolhos."
2.11.10
Curtas
Segunda de manhã, estou a fazer um bolo, chateada com a filha que fez uma mega fita ridícula, e ela chega de mansinho à cozinha: "Mamã, posso dizer-te duas coisas?" E eu que sim. E ela: "Primeiro queria pedir-te desculpa e segundo era para não te esqueceres de por fermento no bolo desta vez".
É a minha filha.
É a minha filha.
3.6.10
Curtas
Filha, a contar a história dos músicos de Bremen: ".. e depois foram todos para Paris, onde viram coisas espantosas, como cadeiras amarelas e ratos minúsculos."
2.5.10
8.4.10
5.4.10
22.3.10
6 anos de filha
24.2.10
Pegamo-nos
Nunca quer a roupa que lhe escolho e demora a decidir-se, quer repetir a roupa do dia anterior, usar as mesmas saias vezes a fio enquanto as outras, intocáveis, permanecem na gaveta, ora rejeita as calças, ora quer só calças, uma frustração.
Acho que já tentei todas as tácticas e ameaças possíveis. A maior parte das vezes acabamos a barafustar uma com a outra, irritadas, eu a dizer-lhe que não quero saber, que quem vai feia é ela, ela a chamar-me má e a chorar a ameaça de fealdade.
As manhãs atrasam-se nisto, e normalmente fazemos as pazes quando a penteio, lhe realço os caracóis com o spray novo que lhe comprei, lhe encaixo o ganchinho de lado a arrepanhar-lhe os canudos mais rebeldes.
Ainda não tem seis anos. E quando já não for eu a penteá-la e pôr-lhe os ganchos, como vai ser?
Acho que já tentei todas as tácticas e ameaças possíveis. A maior parte das vezes acabamos a barafustar uma com a outra, irritadas, eu a dizer-lhe que não quero saber, que quem vai feia é ela, ela a chamar-me má e a chorar a ameaça de fealdade.
As manhãs atrasam-se nisto, e normalmente fazemos as pazes quando a penteio, lhe realço os caracóis com o spray novo que lhe comprei, lhe encaixo o ganchinho de lado a arrepanhar-lhe os canudos mais rebeldes.
Ainda não tem seis anos. E quando já não for eu a penteá-la e pôr-lhe os ganchos, como vai ser?
26.1.10
Adoráveis criancinhas
"Mamã, quando morreres posso ficar com esta casa?"
I., 5 anos muito pragmáticos.
I., 5 anos muito pragmáticos.
9.11.09
6.11.09
Linda.
"Sabes mamã, eu penso muitas vezes nisso de tu gostares muito de mim. Todos os dias antes de dormir, eu penso que tu gostas muito de mim e vais gostar para sempre."
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