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9.3.11

Monsaraz







Há muitos anos que não ia a Monsaraz. Pensei que ia estar tudo muito diferente, com a barragem, mas acabei por não achar. Se olhássemos na outra direcção, aquela de que me lembrava, estava tudo igual. Gosto muito de Monsaraz, mas parece-me mais um daqueles lugares vazios de gente, em que apenas as casas restaram, caiadas de branco e bonitas, mas sem vida por dentro. Há uma solidão.

2.11.10

Fui passear






Ah, o Outono.

22.9.10

Férias

Subir e descer montanhas com peso às costas. Às vezes o esforço era tal, que quase não se conversava. Mas quando descansávamos, a conversa era animada e cheia de risos. Gosto muito dos meus amigos. Pernoitávamos em refúgios de montanha, ainda que bastante menos isolados que os da viagem anterior, aos Pirinéus. O conforto também era maior. Todos os dias deitávamos e acordávamos cedo. Houve sol e chuva.

Eu senti que subia a minha própria montanha.

Dolomites - day 2










14.9.10

Wanderlust

Passei a viagem a ouvir a mesma música, repetidamente, porque me parecia a música perfeita para aquele momento. Uma vez, os meus amigos foram todos a uma gruta e eu fiquei a ouvi-la, sozinha, com um cenário lindo de montanha à minha frente. Pensei: tenho que ouvir esta música aqui, é perfeita para este sítio, este momento, isto que estou a sentir.
Sabia que o nome tinha um significado que me tinha agradado, mas já não me lembrava qual era. Hoje fui ver.

Wanderlust: "Desejo de viajar", é um termo que descreve um forte desejo de caminhar, de ir, apenas ir, a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo, de viajar.

(I am leaving this harbour,
Giving urban a farewell.
Its habitants seem too keen on God
I cannot stomach their rights and wrong.
I have lost my origin,
And I don't want to find it again
Rather sailing into nature's laws
And be held by ocean's paws

Bjork, Wanderlust)


Arrepio.

29.5.10

Amanhã volto para casa

Hoje regressei ao sítio que mais gostei em Paris: Montmartre. Foi uma boa despedida: beber café com leite, bem quentinho, em frente aos pintores e retratistas. Fiquei com pena de não ter trazido um quadro comigo, mas era uma quantia demasiado significativa, ainda que merecesse realmente o valor. Sei que ia olhar para o quadro e lembrar-me sempre destes dias bons e tranquilos, felizes como há tanto tempo não tinha. Mas também sei que não preciso do quadro para me lembrar.
Amanhã regresso, de baterias bem carregadinhas. Tenho saudades dos filhos e da minha casa.
É sempre bom regressar, especialmente quando o faço assim: cheia.

28.5.10

Diário de viagem IV







Neste dia, a chuva alternou com o sol. Chuva e sol, chuva e sol, chuva e sol. Quando chovia, eu e a minha mãe apertavamo-nos debaixo do guarda-chuva que comprámos à pressa, numa loja de recuerdos. Quando estava sol, fotografava. Quem vir as fotos, vê apenas o sol. É tantas vezes assim, não é?

Diário de viagem III







Sempre gostei de jardins. Não dos jardins arranjadinhos, sebes cortadas e flores organizadas meticulosamente por cores. Gosto de jardins com árvores grandes, com esplanadas onde se possa apreciar o verde e o cheiro do verde. Tenho um jardim assim ao pé de casa, e adoro. Acho que é o meu jardim preferido. Longe de casa, encontrei este jardim. Chuviscava e uma banda de jazz tocava ao ar livre. Também tinha uma parte arranjadinha, mas esta foi a que gostei mais, claro. Jardins do Luxemburgo.

26.5.10

Diário de viagem II









Depois de um segundo dia meio calmo, entre passeios perto de casa e idas às compras (as galerias La Fayette estão num edifício lindo, por dentro, mas tirando isso não são nada que nunca tenha visto), resolvi compensar-me no terceiro dia, visitando a zona em relação à qual tinha mais expectativas: Monmartre. Não me desiludiu, e o dia esteve cheio de sol e calor. Adorei especialmente as escadas entre ruas, cheias de árvores e candeeiros antigos.

Diário de viagem







Cheguei no fim-de-semana, os meus tios em casa. Porque eles não estão de férias, a ideia deles era diferente da minha. Descansar. Comecei logo com bichinhos carpinteiros na minha alma de viajante (ou talvez nas pernas), deixei a minha mãe na conversa com a minha tia e fui dar uma volta pelas redondezas. Os meus tios vivem no Meudon, uma vila nos arredores próximos de Paris. Pus-me a caminho e descobri uma vilazinha cheia de casas maravilhosamente antigas, com pequenos jardins e muitas árvores nos passeios. A minha casa de sonho, portanto. Quando regressei, todos à minha espera para jantar (janta-se cedo, por aqui), vinha de alma cheia, feliz. É bom rodearmo-nos de coisas bonitas. Não precisam de nos pertencer. Só de existir, à nossa frente.